Projeto

Descrição

Fordlândia é um projeto que pretende ser desenvolvido no distrito de Fordlâdia idealizado por Heny Ford e que hoje pertence ao município de Aveiro no Pará. Fordlândia tem pouco mais de 3.000 habitantes e se localiza na confluência dos rios Tapajós e Amazonas. As pessoas que hoje ali vivem, em sua grande parte idosos e crianças, têm pouco ou nenhum contato com eventos culturais e educacionais. O projeto propõe a residência artística voltada a proposições culturais junto à comunidade.  Durante vinte dias os artistas Luana Navarro, Lídia Sanae Ueta e Arthur do Carmo se colocarão participantes das referências cotidianas dos habitantes de Fordlândia. O projeto ainda contará com a participação de Anderson André dos Santos de Freitas, fotógrafo de Itaituba/PA que no início de 2010 participou das oficinas realizadas na cidade através do projeto Imaginários Compartilhos desenvolvido pelo Rede Nacional Funarte 2009. Uma das características deste projeto é confrontar as promessas de desenvolvimento, aos moldes da lógica do capital vigente pelo fordismo e taylorismo, frente ao fracasso da materialização desse ideário, pela não compatibilidade dessa mesma lógica em um território que mais se impõe do que se deixa impor.

Mapa do Vale do Amazonas, 1953. Fonte: Unasylva (Revista Internacional de Silvicultura e Industrias Forestales), Número: Vol. 7, No. 3. Obs.: As regiões sombreadas mostram áreas com altitudes acimas de 600m. (Grifo sobre Fordlândia nosso).

O projeto se divide em dez etapas:

1-) Pesquisa sobre Fordlândia e sua idealização por Henry Ford.

2-) Residência dos artistas participantes em Fordlândia durante vinte dias.

3-) Realização de duas oficinas de fotografia em Fordlândia na escola Princesa Isabel. Ao final serão doadas 5 câmeras digitais para escola Princeza Isabel, para que assim os participantes possam dar continuidade à prática fotográfica.

4-) Oficina de Pinhole, ministrada por Anderson André dos Santos de Freitas.

5-) Realização da Oficina de Criação Coletiva nos galpões abandonados de Fordlândia.

6-) Realização de Mostra Audiovisual em Fordlândia, aberta a toda a comunidade.

7-) Produção de obras artísticas a partir do contexto histórico e atual de Fordlândia.

8 -) Encontro no Núcleo de Estudos da Fotografia, em Curitiba/PR, ao final da circulação e residência dos artistas.

9-) Produção de um DVD contendo o registro das oficinas e proposições artísticas em Fordlândia.

10-) Distribuição do DVD para instituições de ensino e pesquisa.

As duas oficinas de fotografia serão ministradas para alunos entre 12 e 16 anos da escola municipal Princesa Izabel, cada turma terá 10 participantes. O objetivo é incentivar a criação de um discurso por cada aluno através da produção de um ensaio fotográfico. Sensibilizar o olhar para o cotidiano e estimular uma reflexão a partir das imagens produzidas sobre Fordlândia. A idéia é permitir que eles estabeleçam uma relação crítica com o seu entorno. Ao longo do curso serão apresentados diversos trabalhos artísticos. Além de aulas teóricas,  os alunos realizarão saídas fotográficas acompanhados pelos ministrantes.

A oficina de pinhole, ministrada por Anderson André, trabalhará com materias descartáveis. A idéia é apresentar, a crianças de 8 a 12 anos, os princípios básicos da fotografia como a câmera escura e o processo de fixação e revelação da imagem.

Outra proposta deste projeto é a realização da Oficina de Criação Coletiva que será ministrada pelos três residentes voltada à criação de proposições artística a partir da experiência em Fordlândia. Serão 20 participantes que se encontrarão durante uma semana. Nestes dias serão apresentados e discutidos trabalhos que operem na lógica da criação colaborativa, entre eles Francys Allÿs e Janaina Tschäpe, e serão elaborados exercícios experimentais para criação coletiva de uma obra. Espera-se ao final da oficina materializar uma obra fruto da ação comum, que tenha partido de discussões coletivas. “Os artistas colaborativos estão interessados na própria experiência de colaboração interativa, (…) em novos entendimentos e novas formas de conhecimento que são catalisadas através desta interação, durante a criação de um produto físico” [1]

A produção de obras artísticas se dará por meio fotográfico e audiovisual, mas também aberta a outras possibilidades de suportes. Entretanto mais importante do que a materialização de um produto, é a realização comum do processo de sua materialização, tendo por fim algo palpável, mesmo que esse algo seja uma reinvenção de subjetividades na relação com o mundo. Ao fim da Oficina de Criação Coletiva esperamos a realização/materialização de uma ação comum que tenha partido das discussões coletivas sobre a experiência de Fordlândia e sobre maneiras de apropriaçôes colaborativas de  um contexto na arte contemporânea.

O ponto de partida para a interação da Oficina será a pergunta: O que fazer com o que sobrou? Afinal, segundo Benjamim, “A ruína é uma forma de as coisas olharem para o mundo.”[2]

Outra ação contida neste projeto é uma Mostra Audiovisual aberta a toda a comunidade durante dois fins de semana. Propõe-se a exibição de um filme por noite. Serão exibidos filmes de diversos gêneros da cinematografia paranaense. Assim, pretede-se compartilhar produtos culturais da região de origem dos participantes do projeto.

O encontro no Núcleo de Estudos da Fotografia, em Curitiba/PR, será a finalização do projeto. Durante o encontro serão apresentados os trabalhos desenvolvidos em colaboração e os realizados pelos residentes em Fordlândia.

Circulação de Artistas

A circulação dos artistas se dá no deslocamento dos integrantes desse projeto de Curitiba/PR para o distrito de Fordlândia/PA. As ações previstas se voltam para o espaço de Fordlândia, pois foram concebidas a partir de pesquisa sobre o contexto histórico e social, passado e atual de Fordlândia. O projeto destina-se a ser realizado diretamente no espaço e com as pessoas que lá vivem.

A residência dos artistas em Fordlândia possibilitará a imersão na vida cotidiana deste local, onde se buscará articular questões baseadas na experiência e no convívio dentro do ambiente, que inspira e instiga a necessidade de se elaborar trabalhos artísticos pertinentes às problemáticas da lógica do capital. Para o projeto ser desenvolvido necessita-se de tempo hábil para observação, contato, escuta, troca e projeção nossa nesse lugar. Deste modo gostaríamos de concretizar uma relação de afeto com as especifidades das ruínas da idealização de Ford, habitat atual de moradores relacionados à sua história: se deixar afetar pelas variáveis diversas e criar a partir da vivência em Fordlândia.

Em um lugar em que a cultura chega apenas através da televisão prentendemos incentivar a criação de outros bens culturais, com posicionamento poético, crítico, ativo, que legitimem questões da própria região. Além do intercâmbio de informações e conhecimentos possibilitados através das Oficinas de Fotografia, Pinhole e de Criação Coletiva propostas, pretendemos através da Mostra Audiovisual de produções paranaenses compartilhar imaginários e discursos realizados em nossa região. A difusão cultural é um elemento primordial para a realização deste projeto, que se dá a partir das relações de troca entre os artistas e a comunidade de Fordlândia.

Ressaltamos que a participação de Anderson André, um dos mais ativos alunos das oficinas de fotografia e videoarte ministradas em Itaituba/PA, quando realizávamos o projeto Imaginários Compartilhados, propõe dar continuidade a uma troca e a um movimento que o instiga a se colocar como propositor de atividades culturais.

Já no encontro a ser realizado em Curitiba, no Núcleo de Estudos da Fotografia, posteriormente a viagem à Fordlândia, pretende-se fazer uma mostra dos trabalhos produzidos pelos artistas e pela comunidade, difundindo o intercâmbio e a circulação de bens artísticos com um conteúdo simbólico não vinculado somente à base material, mas também portador de idéias, sentimentos, sensibilidade, imaginação que possibilitam um posicionamento e interpretação do ser e estar no mundo.

O coletivo Mofo Zero, composto pelos integrantes Arthur do Carmo, Lidia Ueta e Luana Navarro, não está preocupado em criar qualquer tipo de objeto artístico que represente, ou seja, que esteja no lugar de qualquer referente. Pretendemos estabelecer relações a partir de situações reais na qual a ordem simbólica tem a possibilidade de ser questionada, nos dispomos a encontrar outros modos de habitar este mundo.



[1] KESTER, Grant H., 2000, apud WASEM, Marcelo Simon, Práticas colaborativas em arte pública: especificidades e conflitos. Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais – Linha Poéticas Interdisciplinares – UFRJ, III semana de pesquisa em artes: a arte e seus circuitos, p. 16. Disponível em http://www.ppgartes.uerj.br/spa/spa3/anais/marcelo_wasem_16_26.pdf. Último acesso em 09/08/2010.

[2] BENJAMIN, W. Origem do drama Barroco Alemão, 1934, p. 200, apud ESPINDOLA, Alexandra. Refabular a história a partir de restos. Revista Crítica Cultural – Dossiê Simpósio de Fotografia e Cultura Visual – Arquivo e Imagem – Unisul, 2006, Volume 4, n°2, p. 289. Disponível em <http://www3.unisul.br/paginas/ensino/pos/linguagem/critica/0402/00.htm&gt;. Último acesso em 09/08/2010.

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